[Resenha + sorteio] Loney, Andrew Michael Hurley

Em 22.07.2016   Arquivado em resenhas

Está rolando a semana Loney em parceria com a Intrínseca, e vim falar o que achei do livro pra vocês!

Um consultório onde Smith está tentando superar traumas e comportamentos adquiridos cerca de 30 anos atrás, reativados por uma notícia relacionada ao lugar que costumava ir na infância, dá o pontapé inicial de uma história que prende do início ao fim, tanto pela sua narrativa quanto pela densidade psicológica. 

O pano de fundo é o Loney, um lugar inóspito na costa da Inglaterra para o qual pessoas de uma paróquia católica em Londres costumavam ir em peregrinação no período de Páscoa, há alguns anos. No início da narrativa, eles estão indo ao Loney, pois Hanny, o irmão de Smith que é mudo desde que nasceu e que tem certos problemas de aprendizagem seria levado ao santuário que lá havia, a fim de ser curado. Ele é a grande preocupação dos seus pais, principalmente de Esther, sua mãe, que levava a fé e as rotinas religiosas a ferro e fogo, o que resultou em muita cobrança para o novo padre da paróquia deles, o Bernard. Ele veio da Irlanda para substituir o padre Wilfred, bastante querido por todos da paróquia, que falecera de uma maneira misteriosa, um pouco depois da sua última visita ao Loney, e enfrenta uma resistência enorme de Esther por, segundo ela, nunca estar à altura das rotinas que o padre Wilfred costumava seguir. 

“Se o lugar tinha outro nome, eu nunca soube, mas os moradores chamavam-no de “Loney” – um estranho pedaço de lugar nenhum entre os rios Wyre e Lune, aonde Hanny e eu íamos toda Páscoa com a mamãe, o Papai, o sr. e a sra. Belderboss e o padre Wilfred, o sacerdote da paróquia. Era nossa semana de penitência e oração, na qual nos confessávamos, visitávamos o santuário de Santa Ana e procurávamos Deus na primavera que despontava e que, quando enfim chegava, mal era uma primavera; nada tão vibrante e efusivo. Estava mais para as encharcadas secundinas do inverno. 

Embora pudesse parecer enfadonho e sem atrativos, o Loney era um lugar perigoso. Uma porção indômita e inútil do litoral inglês. Uma foz de baía morta que enchia e vazava duas vezes por dia e fazia de Coldbarrow, um pedaço de terra deserto a uma quilômetro e meio da costa, uma ilha. As marés podiam subir mais rápido que o galope de um cavalo, e todo ano algumas pessoas morriam afogadas. Pescadores azarados desgarravam-se da rota e acabavam encalhados. Catadores de mexilhões oportunistas, alheios ao perigo com que estavam lidando, dirigiam seus caminhões de areia adentro na maré baixa e apareciam na praia semanas depois, com o rosto verde e a pele enrugada.”

A relação entre os irmãos é um dos pontos centrais da narrativa. Smith parece ser o único capaz de realmente se comunicar com Hanny, e acaba sendo não só um protetor, mas um  amigo para o seu irmão. Ao decorrer da história essa relação entre eles vai ficando um pouco conturbada, por causa de lembranças de coisas que aconteceram no Loney, e da constante preocupação de Smith com Hanny. Além disso, coisas importantes são reveladas sobre outros personagens: tanto o padre Wilfred, que faleceu, quanto o Bernard, que o substitui, têm muito sobre as suas personalidades reveladas, o que em si revela também diferentes formas de agir diante da fé e das obrigações com a Igreja Católica. O padre Wilfred procurava doutrinar os seus fiéis pelo medo, e Bernard, pelo companheirismo e pela ajuda constante, sem grandes discursos sobre o seu próprio caráter, o que era mais comum a Wilfred. 

A atmosfera de Loney não é dada apenas pelo geografia do lugar e pela arquitetura amedrontadora das construções que ali haviam, mas também pelos seus personagens. E a sensação de que algo sempre estava na iminência de acontecer não tornou a narrativa veloz: é uma história contida, o suspense está nos pequenos detalhes e nas associações entre a vulnerabilidade dos personagens e o que o local fazia com eles – todo mundo, no Loney, de certa forma parecia mudar.  

Gostei muito do livro, me prendeu do início ao fim. E como eu gostaria que vocês tivessem a oportunidade de ter essa experiência, vou sortear um exemplar pra vocês, em parceria com a Editora Intrínseca!!

Regras:

  • Ter endereço de entrega no Brasil.
  • Fazer um comentário válido nesse post (preencha os seus dados com o email que você mais usa)
  • Se inscrever no canal do Despindo Estórias no youtube (e ponha o nome que você usa lá na conta do youtube no comentário, para checagem).

O sorteio será feito pelo RANDOM.ORG e eu mostrarei no Snapchat no blog (destorias) e postarei também um print nesse post.

Cuidado pra não esquecer nenhuma regra, hein? Boa sorte a todos. :)

IMG_20160622_164118

Título: Loney
Autor: Andrew Michael Hurley
Páginas: 301
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Livro cedido em parceria com a Intrínseca

[Resenha + Trechos] Nada a Dizer, Elvira Vigna

Em 19.07.2016   Arquivado em resenhas, Uncategorized

Se tem uma coisa que eu e a torcida do Flamengo adoro fazer enquanto leio é marcar trechos que achei importantes no livro, ou que foram um deleite pela própria linguagem, ou engraçados, enfim, que de forma particular e diversa me prenderam enquanto lia. 

E um pouco antes de escrever esse texto, eu estava fazendo o roteiro da resenha de Nada a dizer, da Elvira Vigna, sobre o qual eu já falei aqui brevemente num post anterior de indicações, e relembrei de trechos maravilhosos que tinha marcado com um sem número de flags e post-its. Então resolvi, junto com a resenha, mostrar a vocês alguns dos trechos que marquei, e que dão uma boa ideia do que vocês vão encontrar no livro – o que é um grande estímulo para começar a leitura. 

Assista, antes de tudo, à resenha: 

Trechos:

“Paulo explicou como era bom estar numa janela que lhe mostrava, por cinco horas, coisas que ficavam para trás.”

“Viemos (para São Paulo) porque deu vontade, como às vezes nos dava, de simplesmente ir embora, sair, fazer outra coisa, em outra cidade. E isso desde a época que Paulo morava numa república com mais dez ou doze pessoas, e eu num apartamento que era o meu, com mais outras tantas. Ele sócio num grupo de teatro, eu sócia numa editora – grupo de teatro e editora juntando pessoas com os mesmos modelos de roupa rasgada, o mesmo hábito de beijar na boca e ir para a cama em novas paixões que pipocavam todos os dias. De lá para cá, ficaram para trás algumas décadas e algumas cidades: Petrópolis, Rio, Vassouras, Nova York, Rio outra vez. Agora estávamos em São Paulo. Mudar era bom.”

“Por muito tempo fiquei com essa imagem. A de uma mulher que se levanta, a boceta pingando porra do amante, e vai festejar o aniversário de casamento com o marido.”

“Como Paulo iria me confirmar dessa vez também, embora sem usar essas minhas palavras, N. era estática. Entrava em quartos e lá ficava, trancando a porta para abrir a boceta. Nunca pretendeu sair do lugar. Nem do motel, nem de sua classe social.”

“Mas eu continuava sem entender como ele podia meter o pau dele em qualquer buraco, só porque podia. Não exatamente porque queria. Mas porque podia. Porque esse era o ponto não dito, e não dito não porque não pudesse ser dito, não por eu deixar de oferecer acolhida para que fosse dito. Não era dito porque ele, Paulo, não dizia isso nem para si mesmo.
Ele fazia porque podia.”

“Li em seu rosto que ele achava que me fazia bem eu considerar a N. uma mulher promíscua. Que eu, a esposa traída de meia-idade, me sentiria melhor se ele não refutasse a hipótese de ser sua amante uma puta. Eu afundava, mais e mais, em estereótipos, e Paulo continuava a me ajudar para que assim fosse. Agora, eu era a mulher merda, banal, medíocre, imbecil que tinha sido traída. E era também a mulher merda, banal, medíocre e imbecil que tinha a reação típica de todas as mulheres merdas, banais, medíocres e imbecis ao serem traídas: pedir teste de HIV. Porque os maridos dessas mulheres nunca trepam com camisinha, elas não merecem a preocupação.”

Resenha: Usagi Drop – Unita Yumi

Em 11.07.2016   Arquivado em mangás, resenhas

YUMI, Unita. Usagi Drop. São Paulo: New Pop, [2014]. 10 v.

Mina-san, kon’nichiwa!

Hoje eu trago a resenha de Usagi Drop, mangá da autora Unita Yumi, que finalizado no Japão em 2011, com 10 volumes e no Brasil está sendo publicado pela New Pop desde 2014 (não tenho certeza e não consegui confirmar a informação), com classificação 16 anos e atualmente se encontra no vol. 8.

Antes de ler o mangá eu já tinha assistido o anime, que adapta apenas os primeiros volumes do mangá. Quando terminei de ver o anime li alguns comentários sobre como continuava a história no mangá e achei que parecia um rumo bem estranho, mas como não gosto muito de ler mangás pelo computador acabei deixando de lado. Até que um tempo depois descobri que a New Pop estava publicando o título no Brasil, aí não resisti e comecei a acompanhar.

Sinopse: No funeral de seu avô, o solteirão Daikichi Kawachi acaba descobrindo que o velho tinha uma amante e, mais ainda, juntos tiveram uma filha, a pequena Rin! O resto da família fica chocada e ninguém pretende ser responsável pela menina, irado com o descaso familiar, Daikichi resolve tomar a guarda da garota e passa a cuidar dela sozinho. Mas criar uma criança não é trabalho fácil e ele passa a repensar sua vida e – mais ainda – considerar os sacrifícios que fará pelo bem da Rin. (YUMI, [2014], contracapa).

Logo no começo o mangá conta a história de Daikichi e suas dificuldades como “pai” solteiro da Rin. Daikichi meio que fica com pena da sua “tia” de 5 anos abandonada pela mãe e deixada de lado pelo resto da família. Então ela acaba adotando Rin sem pensar direito e, no dia seguinte, se vê diante da grande responsabilidade de criar e sustentar sozinho uma menininha. Aos poucos ele vai descobrindo que não é nada fácil ser mãe solteira, pois terá que mudar toda a sua rotina: seus horários no trabalho, percurso para levar Rin à creche, seus hábitos alimentares, entre outras coisas.

Por outro lado temos Rin que é um amor de menina, toda fofa e responsável, apesar da pouca idade. Sensível e inteligente, ela logo se adapta à nova vida e, muitas vezes, acaba ensinando mais coisas ao Daikichi do que ele a ela. Aos poucos eles vão criando algum tipo de relação familiar, porém Rin nunca enxergou Daikichi como seu pai e ele, por sua vez, apesar de ver Rin como sua responsabilidade, ser carinhoso e se esforçar para que ela tenha uma infância feliz, não parece vê-la como filha também.

Diferente do anime e do filme live action (que assisti depois que comecei a ler o mangá) – que só acompanham a história durante a infância da Rin – o mangá dá um salto no tempo e acompanhamos Rin no final do ensino fundamental e começo do ensino médio. Nesse ponto a autora começa a enrolar um pouco, se perdendo na narrativa e os personagens parecem não ter um rumo certo. Temos os desencontros da vida amorosa de Daikichi e, em paralelo, da própria Rin que se vê as voltas com sentimentos confusos em relação a um amigo. Essa situação durou uns 4 volumes do mangá, quase me fazendo desistir de acompanha-lo. Agora, no volume 8, a história passa a dar indícios de um clímax e eu fiquei com um “pé atrás” com o novo rumo da história.

Enfim, Usagi Drop é uma mangá josei bem divertido e interessante no começo, mas que da metade para o final vai ganhando ares de shoujo, com uma mudança drástica no foco da narrativa, e no final a autora parece estar caminhando meio sem rumo para uma conclusão no mínimo estranha. Não sei se este é um mangá que eu possa recomendar para qualquer um, talvez para quem goste do estilo josei com uma narrativa mais leve para uma leitura descompromissada. Porém só vou realmente ter uma ideia bem definida quando tiver lido os dois últimos volumes. Só espero que a New Pop não demore muito para publicá-los.

Top 3: Últimas leituras que eu gostei

Em 17.06.2016   Arquivado em Uncategorized

Oi! Estava com muita saudade de escrever no blog, e resolvi dividi com vocês algumas das últimas leituras que fiz e gostei bastante. Eu ainda farei resenhas delas lá no canal, então se inscreva e acompanhe o conteúdo do canal também

Mulheres que não sabem chorar, da Lilian Farias: Lilian passou anos ouvindo relatos de mulheres oprimidas de várias formas e transformou essa experiência na narrativa ao mesmo tempo tensa e sublime desse livro. Ela não poupa nenhuma de nossas emoções ao narrar a história de Marisa e Olga, tão opostas e que mesmo assim, se aproximam pelo amor que passam a sentir. Também fala de Ana e Verônica, um encontro que parece ser causado pelo acaso, mas que na verdade é muito mais forte que isso. É uma história que dilacera e transforma, não te poupa de sentir as maiores dores que são impingidas nos personagens. Mas é nisso que ele também é bom: mostra a força pra superar as maiores adversidades, como a lesbofobia e a cultura do estupro fortíssima que é inteligentemente mostrada na narrativa pela autora. Eu adorei, e indico demais. Vai ser um dos livros para as premiações dos desafios da ARRAIÁtona, então participe!

Nada a dizer, Elvira Vigna: É a história de uma traição narrada pelo ponto de vista da mulher traída. A narradora, em primeira pessoa, não tem seu nome revelado em parte alguma desse romance. Achei a história sensacional por mostrar minuciosamente como um relacionamento vai se desgastando por causa da rotina e dos muitos anos juntos, e como a perspectiva de quem é traída, ao mesmo tempo que importa, está sempre embebida de uma certa raiva pela deslealdade do seu parceiro, mas isso pra mim não prejudicou a verdade do que era contado. Talvez porque sempre nos enxerguemos na mulher. E não há como não ser empática a ela com essa história mais que bem construída. 

Um presente da Tiffany, Melissa Hill: Eu nunca pensei que fosse gostar tanto de um chick-lit, e adorei esse! O livro conta a história de dois casais europeus que estão em Nova York no Natal, e as vidas deles se cruzam por causa de uma fatídica troca de pacotes da famosa Tiffany, uma loja de jóias reconhecida em todo o mundo e um ícone daquela cidade. A narrativa é maravilhosa e eu indico bastante a leitura! Ah e já fiz resenha dele lá no canal, confira também. 

Já leu algum desses? Ficou com vontade? Me conta nos comentários!

Página 1 de 7712345... 77Próximo