24 Feb 2011
O ar-condicionado
by despindoest at 01:52 in mudanças
Hoje, voltando do trabalho, me deparei pensando em algo que pareceu ser uma bobagem de início, mas que fez um certo sentido depois. Pra quem não sabe eu trabalho numa livraria, e nesses dias o ar-condicionado de lá quebrou. Enfim, depois eu peguei um ônibus que estava muito quente, mesmo com as janelas abertas. E vi as travas das janelas, ou seja: os ônibus foram ‘planejados’ para as janelas ficarem fechadas. Como os metrôs. Mas os metrôs já têm ar-condicionado (embora nem sempre tenha sido assim e, quando não era, era um verdadeiro inferno de tanto calor), e os ônibus? (Não, não é silogismo). Whatever, todo esse caracol de pensamentos me levou a uma reflexão sobre ar-condicionado – não exatamente sobre ele, vocês entenderão mais à frente.
Quando entramos num ambiente com ar-condicionado nos deparamos com uma “realidade fictícia”: um friozinho bom, não correspondente ao calor lá de fora. Nos acostumamos com aquela temperatura até que, bum!, é hora de sair. Reacostumar a outra temperatura costuma ser no mínimo estranho. Admita que é bem mais fácil e agradável se “acomodar” com uma boa perspectiva do que enfrentar a real! Eis a “reflexão” louca, estabanada, mas legítima!
O agradável insiste em parecer real só para nos viciar. Quando o ciclo acaba, nosso mundo cai. O caminho se encurtaria se tomássemos parte do que é verdadeiro, e mais que passageiro, para sempre.
P.S.: Não, eu não tenho nada contra ar-condicionados. E só queria falar o que pensei, e não fazer um texto “oooh”.
P.S.2.: Acho que estou voltando a ser blogueira como no início do blog: assuntos do dia-a-dia, bem mais que posts montados. Até pensei em mudar drasticamente o blog depois do domínio, mas vi que não teria sentido, pois essa é a essência do Despindo Estórias: ser livre para falar como quiser, do assunto que quiser.
5 comments. Leave yours...
Realmente, é muito mais fácil nos acostumarmos com o irreal que com o real. Acho que o que menos queremos é fixar nossos pés no chão. E viva o ar-condicionado. Hehe!
=)
Tay, tudo bem?
Gostei da frase “realidade ficticia”, tudo a ver.
Bjao
O agradável insiste em parecer real só para nos viciar[2]. Concordo totalmente!! Mas bem que eu queria que todos os ônibus tivessem ar-condicionado…nem me chocaria com a realidade calorenta quando eu saísse do ônibus hehe
Tay,
De facto, por meio de uma suposta banalidade cotidiana, adentra-se no expectro do irreal – onde a fantasia de uma eternidade se impõe sobre a efemeridade do tristemente findável.
E não apenas no que cerne aos ar-condicionados (kkkk), mas aplica-se ao tudo e ao nada da vida humana – que é tão ampla, plena e longa quanto curta, vazia e noir.
Beijos!
E nessas quem sai perdendo é nossa saúde, né. Eu adoro, amo ar condicionado, mas ficar entrando e saindo de ambientes gelados e tomar aquele bafo quente na cara definitivamente não nos faz bem :S