Os lugares da minha vida

by at 16:43 in contos

Estava nas cartas, mas ficou lá, no passado. Era um amor tão louco que a gente se perguntava até onde ele ia, pois não se sabia ao certo. O problema era essa dúvida que pairava, sempre.
Era assim que eu pensava, enquanto caminhava por aquela avenida que pra mim não parecia ter fim, embora fosse, na realidade, bem pequena. Faziam dias e dias que eu não via aquele a quem tanto amava. Finalmente cheguei em casa, e fiquei ali mesmo, pelo jardim. De repente algo me veio em mente e fui olhar a caixa do correio. Havia um grande envelope azul-claro que dizia: “leia e siga as instruções”. Achei curioso, e por isso abri rapidamente.

Nele tinha um mapa que detalhava todos os locais da minha cidade. Fora feito com capricho, desenhos dos lugares que eu mais gostava, explicações detalhadas de como chegar, mas sem nenhuma informação de quem lá estaria. Lá na Livraria da Praça, no lugar que eu costumava me esconder pra ler algo que me lembrava bons momentos até a hora que fechava, às 21h. Tanto tempo parecia ínfimo. E fui, com o mapa nas mãos correndo pela rua. De tão ansiosa, deixei o envelope lá, na grama.
Ao andar pelas ruas, cada uma delas parecia ganhar nova cor. Nunca mais tinha arriscado nada desse tipo, nada parecia acontecer, e eu era só tristeza. E agora me via eufórica sem saber o porquê e nem saber por quem. Mas eu gostava da sensação. Era doce.
Ao chegar à livraria, peguei novamente o mapa, e ele dizia para eu procurar um livro de Vinicius de Moraes que estava na prateleira do canto direito. Logo dei um belo sorriso: não tinha como acertar tanto. Seja quem fosse, me conhecia bastante pra saber que eu amo os poemas de Vinicius. E eu estava ainda mais curiosa por saber mais e mais. No livro, tinha um adesivo, dizendo: “Leia o Soneto de Fidelidade“. Foi quando me dei conta que sim, aquele era o mais lindo poema de Vinicius, fiquei ainda mais perplexa. E aquela era uma pista de que seria alguém do meu passado. Mas eu só pensava em uma pessoa, e no entanto, não dava pra saber se era mesmo ela. Mas esse bendito coração não sabe ser imparcial. Li cada pedacinho do soneto, mas me demorei mais na seguinte parte:
“Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

E fui ver no mapa qual seria o segundo lugar a ser visitado por mim. Mas antes, havia um recadinho: “Vá pra casa, já é tarde, descanse por hoje. E guarde o envelope que você deixou na grama do seu jardim.”. ficou a dúvida: quem era essa pessoa, e como ela sabia do envelope?? Nem eu tinha me lembrado que tinha deixado no jardim. Voltei pra casa, a avenida continuava grande. Mas dessa vez, de tantos pensamentos. Apanhei o envelope e fui para o meu quarto, resistindo aos berros da minha mãe que falava que já era tarde. Tentei ficar calma, mas queria que chegasse logo o outro dia, para que eu descobrisse algo a mais.

(continua)

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  1. Erica Ferro - May 12, 2012 ( Reply )

    Que massa essa primeira parte do conto, Tailany!
    Achei super interessante a ideia dele, realmente me deixou curiosa pra ler a próxima parte.
    Quem quer que seja, é alguém criativo e fofo, porque pra bolar algo assim tem que ter a alma muito linda mesmo!

    Beijo!

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