Resenha | O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald

by at 23:08 in resenhas

OGrandeGatsby

Título: O Grande Gatsby

Autor: F. Scott Fitzgerald

Ano: 2013 (a edição que li, mas o livro é de 1926)

Editora: Penguin – Companhia

O Grande Gatsby se passa em cidades próximas a Nova York da década de 20 (East Egg e West Egg, em Long Island), na chamada “Era do Jazz”. Era uma época próspera, pós 1ª guerra, e a alta sociedade esbanjava dinheiro em futilidades, num sistema que aparentava ser próspero a longo prazo (e acabou não sendo, finalizando-se em 1929 com a quebra da bolsa de valores de Nova York).

A história é narrada em primeira pessoa por Nick Carraway, que atua como narrador-personagem, um jovem falido que trabalha vendendo títulos e que vai morar ao lado da casa de Jay Gatsby, riquíssimo homem cercado por muitos mistérios. Nick foi convidado, certa vez, pra uma festa em sua mansão – festas essas que eram mais uma isca para atrair Daisy Buchanan, mulher do Tom Buchanan e antigo amor de Gatsby. Nick torna-se aos poucos seu amigo, embora os boatos que cercavam a sua imagem o fizessem também ver praticamente apenas defeitos, mas a verdade é que pouco se sabia sobre ele. Gatsby promovia festas nababescas em sua mansão, com um fluxo enorme de pessoas a cada noite. Ao som de jazz e regado à muita bebida (mesmo estando eles no período de Lei Seca nos E.U.A.), mulheres e homens confraternizavam uma vida de excessos. 

O livro tem uma linguagem trabalhada com maestria, e mesmo assim não apresenta grandes dificuldades no andamento da leitura. Eu, particularmente, me apaixonei com a narrativa. Há frases e até mesmo parágrafos inteiros tão apaixonantes que eu só conseguia seguir com a leitura depois de lê-los por várias vezes, como por exemplo:

“Quando ‘A história do mundo em forma de jazz’ terminou, muitas garotas apoiaram a cabeça nos ombros dos homens de um jeito infantil e amigável, ou fingiram desmaiar em seus braços alegremente, até mesmo em grupos, sabendo que alguém as impediria de cair – mas ninguém fingiu desmaiar nos braços de Gatsby, nenhum cabelo curto de moça tocou no seu ombro, e nenhum quarteto de cantores se formou ao redor dele.”

“Todas as noites ele acrescentava algo à estrutura de suas fantasias até que a sonolência soterrasse essa cena vívida num abraço de esquecimento. Por um tempo, as ilusões lhe propiciaram um escape para a imaginação; eram uma alusão satisfatória à irrealidade da realidade, uma promessa de que a rocha do mundo estava assentada numa asa de fada.”

Os personagens são bem construídos e bem descritos, cada um representando um tipo comum naquela época. Gatsby é um homem rico e misterioso, que de início não se sabe como conseguiu tal fortuna e com o que ganha a vida; Nick Carraway é um aristocrata falido, que começa a trabalhar com venda de títulos e viver uma vida sem luxos. Daisy Buchanan e a representação da ostentação e da futilidade vigente na época, alguém que se preocupa primordialmente com a aparência e não sustenta reflexões muito profundas. Jordan Baker é jogadora de golfe e tem uma personalidade forte e é ousada, a única personagem que ao meu ver foi menos explorada do que deveria, pois sua força podia ser ainda mais demonstrada. Tom Buchanan é um homem grosso, que esconde seus maus modos atrás do dinheiro – e que, aliás, nem sempre é bem sucedido nesse intento. Há também Myrtle, mulher de Wilson, o dono de uma oficina. Os personagens se entrecruzam bastante, mas é interessante que eu pare por aqui pra que vocês mesmos descubram. 

A história deixa muitas coisas em aberto, como que suspensas, num enredo que mostrará adiante muitas das respostas, o que torna a leitura bastante instigante. É isso: O grande Gatsby é instigante, do começo ao fim. Não se deve procurar grandes acontecimentos o tempo todo, e sim focar na descrição deles: Fitzgerald é minucioso e poético, não é uma narrativa pra ser lida de qualquer jeito, e sim apreciada. Eu me sinto sinceramente contemplada de ter lido essa obra maravilhosa, e por ter conhecido um pouco mais sobre a Era do Jazz, pois eu adoro muito o estilo musical e nunca pesquisei muito sobre antes. Agora, as coisas mudaram –  e, claro, não para por aqui.

Ficam duas observações:

-Lerei mais livros de Fitzgerald em breve.

- Assistirei a adaptação mais atual para o cinema, e se encontrar, as outras. E tentarei fazer um post da tag Livro x Filme. Me aguardem.

Eu espero que muitos leiam esse livro. Vale muito a pena. Até a próxima!

2 comments. Leave yours...


  1. Ana Ligia - August 19, 2013 ( Reply )

    Tay!

    Ainda não tinha lido uma resenha desse livro que me deixasse tão interessada em lê-lo, no máximo ficava curiosa. Nas outras resenhas os maiores comentários eram sobre o enredo cansativo ou a construção da narrativa que deixaria muitas perguntas sem resposta.

    Acho que a sua é a primeira resenha positiva que leio de “O Grande Gatsby” e já fiquei bem mais animada em começar a leitura. Já estou com uma versão genérica do livro no Kobo e vou tentar começar por esses dias, depois te digo o que achei.

    Beijos!.

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