Gente! Primeiramente, desculpa pela demora, estava passando por um período meio conturbado e junto ainda veio o Simpósio Hipertexto, no qual atuei como monitora, e a Fliporto, que vocês já sabem: uma grande paixão minha. Por isso atrasei com esse resultado.
Mas, indo ao que interessa, eu adorei os textos enviados. Foram poucos, até porque muitos disseram que adoravam fazer contos, mas não eram muito bons em contos de terror (calma que teremos um concurso de contos mais eclético também). E os poucos se tornaram complexos na hora de analisar. Mas mesmo assim, foi muito divertido avaliar, trocando ideias com os outros julgadores. Foram 4 notas para cada um: a minha, a do Edwin, a da Aninha e a da Renata, e a média delas como resultado final.
Acordei. Já estava tudo escuro, luzes desligadas e eu não fazia ideia de onde estava. Senti um gélido arrepio na espinha e, sem pensar duas vezes, me levantei. Comecei a procurar por alguém que pudesse explicar o que estava acontecendo, mas tudo o que encontrei foi um corredor enorme cheio de portas fechadas. Era assustador. Cheguei ao que parecia ser uma recepção e me deparei com duas moças preenchendo fichas. Sim, eu estava em um hospital, ou em algum lugar que parecia ser um. Fui até as moças e fiz de tudo para lhes chamar atenção, mas nada parecia funcionar. As luzes começaram a piscar – provavelmente pela tempestade que parecia se aproximar -, e elas continuavam indiferentes a tudo que ocorria, mesmo a meus gritos que me pareciam ensurdecedores. Após o que me pareceu dez minutos gritando e fazendo de tudo para lhes chamar atenção, desisti. Elas pareciam me ignorar com uma frieza tremenda.
Voltei para meu quarto. Ainda estava muito confuso, mas agora começara a lembrar do porquê de estar ali. Lembrei que estava dirigindo meu carro pela estrada do Moinho quando, de repente, surgiu um caminhão que me atingiu. Após isso, apaguei, ouvindo o som de uma ambulância ao longe.
Cheguei a meu quarto, depois de passar por um longo corredor cheio de quartos com pessoas em fase terminal. Ainda estava muito confuso quanto ao meu estado, mas foi aí que eu presenciei a cena mais assustadora da minha vida: eu estava ali, parado à beira da minha cama enquanto meu corpo estava deitado naquele leito de hospital, coberto por fios e sondas. Um corpo gélido, quase morto, arroxeado.
Não podia ser verdade. Eu havia morrido? Não, pior: eu estava em coma. Tudo me levava a crer que eu estava em coma. E isso explicaria o porquê de as recepcionistas terem me ignorado. Agora tudo estava claro. Tentei voltar para meu corpo, mas não conseguia. Eu podia tocá-lo, senti-lo, mas não conseguia voltar. Havia uma barreira invisível que me impedia. Era um pesadelo, tinha que ser.
A essa altura eu já estava beirando à loucura. Sentei em um canto do quarto e fiquei ali, observando meu corpo quase sem vida e tentando acordar daquele pesadelo terrível.
Foi então que um homem velho muito pálido entrou em meu quarto. Ele usava um manto preto e tinha os olhos de um azul intenso. Ele foi se aproximando do meu corpo como se flutuasse. Colocou a mão sobre minha cabeça enfaixada e eu senti como se um redemoinho estivesse me puxando para baixo. Olhei para o chão e um abismo havia se aberto, um enorme e escuro abismo que insistia em me sugar. Reuni toda a força que tinha e saltei naquele velho, afastando sua mão de meu corpo. Ele olhou para mim espantado e disse:
- É a sua hora. Você não pode lutar contra isso.
- Não, essa não é minha hora. Sou muito jovem e tenho muito a viver ainda. Quem é você para decidir algo?
- Alguns me chamam de ceifeiro, outros de morte. Já levei pessoas mais jovens que você e em melhor estado. Essa é a sua hora e não há nada que você possa fazer contra isso.
- Sim, há algo que eu posso fazer.
Naquela hora percebi que eu era um espírito, e se eu havia derrubado a morte então eu poderia matá-la! Mais do que depressa arranquei o espelho que havia na parede do quarto e lancei sobre o ceifeiro. Eu havia lido há tempos que espíritos podem ser aprisionados por espelhos e é por isso que quando alguém morre as pessoas tapam os espelhos para que os espíritos possam seguir seu caminho. Foi aí que aconteceu: eu aprisionei a morte dentro do espelho, mas seu reflexo ainda estava vivo, e me disse:
- Não faça isso. Você vai se arrepender!
Eu não dei ouvidos. Atirei aquele espelho dentro do abismo da morte que ainda estava aberto. Houve uma explosão de luz e o abismo se fechou. “Estou vivo!” – foi o que pensei. Ah, que terrível engano! Quando tudo parecia bem, os sinais vitais do meu corpo desapareceram. Eu havia morrido, mesmo tendo matado a morte.
Senti algo estranho em meu espírito. Senti uma dor profunda, como se estivessem arrancando as carnes que eu não possuía. Olhei para mim mesmo e estava desfigurado: eu era o velho pálido com capa preta e olhos azuis! Eu era a morte.
Me transformei na própria morte quando a matei porque a morte nunca morre.
“A era do pão e circo estava de volta. Sacrifícios humanos e criaturas repulsivas dividindo uma arena em prol da diversão do Governador e seu povo. A única diferença é que não usávamos escravos de guerra, era uma sujeira voluntária em troca da adrenalina, da fama e da própria loucura que cada uma carregava.
Éramos exatamente uma formação de vinte e três mulheres seminuas com um facão atado na cintura e lambuzadas de vísceras humanas que sequer me eram perceptíveis olfativamente, apenas incômodas por causa de sua textura pungente e melecada. Com o tempo deixou de ser repulsivo, é como um perfume que, depois de algum tempo de uso, você não sente mais o cheiro não importa a quantidade que passe.” (leia mais no blog da Jade).
“Mesmo correndo o risco dela ficar furiosa e transformá-los em lobisomens e lobismulher decidiram ir adiante com o plano. A bruxa, pronta para lançar qualquer feitiço maldoso, quando viu os presentes, ficou muito emocionada com o gesto das crianças. Ela se emocionou porque nunca ninguém lhe havia dado um presente antes. Natal, Dia Das Crianças, Aniversário… quem é que sabe o dia do aniversário de alguma bruxa?” (leia mais no blog da Stephanie).
É isso, gente. Foi uma experiência incrível esse concurso. E recadinho para a vencedora: essa semana mesmo estarei enviando o seu prêmio, ok? O livro é tão lindo que deu vontade de ficar pra mim!
E teremos, logo mais, outro concurso de contos, dessa vez de temas mais abrangentes, como eu disse. Vocês não perdem por esperar. Beijos e obrigada pela participação.
De onde vinha aquela luz? Enquanto se perguntava, Ana ouviu passos ainda mais ensurdecedores nas folhas secas: seus amigos fugindo. Nossa, que falta de coragem deles… Mesmo sozinha, porém, ela não desistira. Foi até lá e preferia não pensar nas consequências do que ia descobrir. Ela apenas queria descobrir o que luzia tanto e seguiu seus próprios passos: os dos seus pensamentos.
Chegando lá, tinha um senhor em frente àquela luz que, de perto, era ainda mais reluzente. Em cima de uma pedra, um cristal de O senhor, ao sentir que passos se aproximavam dele, olhou assustado e saiu correndo. E Ana lá ficou, sem ter noção de onde vinha aquela luz. Ela olhou melhor, fazendo esforço para não cegar diante de toda a claridade e viu que se tratava de um cristal. Era um olho de falcão, mas só percebeu isso olhando de todos os lados, pois é incrível como um cristal escuro reluzia tanto. Esse era mais um mistério para a coleção de Ana. Ela pediu por travessuras com tanta força que agora estas a estavam perseguindo. E quem disse que ela tinha medo?
Chegando em casa, Ana foi pesquisar mais sobre aquele cristal. Descobriu que ele faz milagres na sensibilidade e na intuição, e mesmo para ela, que já tinha isso em grande quantidade, era muito interessante mais um upgrade para desvendar esses novos mistérios. Numa noite tão sombria, aquela luz, vinda de uma pedra da qual não se esperaria isso, por ela não ser translúcida, era no mínimo…curioso.
Ela desviou um pouco o olhar e percebeu que o senhor que fugira estava umas duas ruas após a dela no cemitério. E o seu primeiro impulso foi correr…e correu atrás dele. Quando ele percebeu, já era tarde, ela estava perto. Provavelmente a idade tirara muito de sua audição, pois ela fizera muito barulho nas folhas ao correr. Ana tratou de tranquilizá-lo, já que ainda parecia perturbado.
- Calma, senhor. Eu não vou te fazer nenhum mal. Gostaria apenas de saber porque essa luz está saindo logo desse cristal. E os significados dele…tudo me deixou bastante curiosa.
- Pois é, é incomum mesmo um cristal desse emitindo tamanha luz. Mas se você tiver paciência, eu posso lhe explicar.
Ele foi assim, simples e direto, sem se preocupar em explicar porque estava tão assustado. Vai ver o que ele queria era esconder essa informação mesmo.
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Esse é o segundo capítulo do conto que eu comecei a escrever nesse post. E é nesse mesmo post que falei do I Concurso de Contos de Terror do Despindo Estórias, e volto a falar aqui.
Eu gostaria muito que vocês participassem e/ou divulgassem para amigos que gostam de halloween, de contos de terror, enfim…de criar nesse gênero tão fecundo. As informações mais detalhadas e o regulamento do concurso se encontram aqui, não perca mais tempo e participe! Você ainda pode ganhar o livro “Contos de terror do Tio Montague”, do Chris Priestley.
Era a noite de pedir doces na cidade de San Francisco. Ou travessuras. Ana não queria ser apenas aquela que seguia as tradições: queria os dois.
E ela, que não acreditava em sobrenatural, gostava desse costume de sair pelas portas se divertindo com os seus amigos (e ganhando calorias com os doces, como ela poderia esquecer disso sendo uma menina de 15 anos mega vaidosa?).
Ana morava apenas com a sua mãe, pois nunca conheceu o seu pai. Estudava numa escola pública na cidade em que vivia e estava no final do ensino médio. Mais um pouco ela ia estudar o que queria, mesmo sem saber o que. Era alta, magra e tinha longos cabelos loiros. Seu rosto era cheio de sardas que ela se recusava a esconder com maquiagem, pois achava que lhe dava um tom sombrio. A única maquiagem que seu rosto via era um batom cor de vinho. Ela tinha um colar de abóbora e o seu porta-trecos na sua escrivaninha era um caldeirão, mas até aí era uma garota normal.
Conseguiu, na noite do 31 de outubro, doces e mais doces. E embora ela e seus amigos não precisassem de travessuras, eles não iam deixar isso por menos. Claro que não podiam aprontar nada com os donos das casas que tinham lhes aberto as portas com um sorriso no rosto e um pote de doces para eles pegarem o quanto quisessem e coubessem em suas mãos. Mas Ana, junto com seus amigos Mel e Renato, tinham uma imaginação além. E foram ao cemitério da cidade.
Ao chegar lá, uma névoa cobria os corredores e o frio era intenso naquele outono já em prenúncios de inverno. Os três amigos pararam um pouco para observar o silêncio. Era tanto que o movimento dos pés deles sobre as folhas secas no chão se tornava um barulho ensurdecedor. No mais, eram só lápides e mais lápides de pessoas importantes ou nem tanto. Votos de amor, flores secas, velas apagadas, uma verdadeira procissão de sentimentos que não se apagaram nem morreram, ao contrário das velas e das flores. Cores frias numa vegetação seca de amores enregelados. E assim por minutos eles permaneceram paralisados, observando.
Depois de dar por conhecido o terreno, eles adentraram ainda mais naquele mar de lápides, morte e cadáveres. Mas não havia medo, pois o que eles poderiam fazer? Afinal, estavam todos ali mortos, não é mesmo? Exceto eles.
Mas de repente, havia uma luz no fim do cemitério que luzia tão forte e tão infinita que quase cegava. Aos poucos, ela foi se estabilizando e ficou iluminando como se um globo transparente a tivesse “segurado”. E uivos foram ouvidos, como se fosse alguma criatura chorando. Quem seria? O que seria isso? De onde vinha aquela luz?
(continua amanhã)
Escrevi esse capítulo do conto para me preparar: já já é halloween e quem me conhece sabe o quanto eu amo essa data! Para quem está chegando agora ou é leitor há pouco tempo, eu fiz uma blogagem coletiva sobre o tema, como vocês podem ler aqui, que tinham poucos participantes, que eram blogueiros e amigos (alguns dos quais o blog já foi desativado, uma pena pois amava muito lê-los). Mas enfim.
Esse ano eu resolvi fazer diferente e promover um concurso de contos de Halloween. O que acham? Se liguem no regulamento abaixo:
1. Tem que ter blog, afinal eu não queria deixar as origens de blogagem de Halloween!
2. Escrever um conto de terror com a temática do Halloween no seu blog do dia 23 (terça-feira) até dia 31 de outubro (quarta-feira). Aposte na criatividade e no suspense.
4. Preencher todas as informações pedidas nesse formulário (deixar de responder alguma é fator desclassificatório).
5. Será levada em conta a criatividade e originalidade, assim como adequação ao gênero.
6. Prestem também atenção na grafia das palavras ok? É fator desclassificatório também.
7.Os textos serão julgados por mim e mais três pessoas: a Ana Ligia, o Edwin e a Renata (logo apresento eles aqui). Para cada texto, cada um de nós dará uma nota, e depois tiraremos a média. A partir dessas médias, formaremos o ranking.
8. O melhor texto será premiado com o livro Contos de terror do Tio Montague, do Chris Priestley (se não conhece o livro, leia resenhas sobre ele no skoob). E caso perguntem: não tenho parceria com nenhuma editora, é apenas um presentinho meu para o vencedor! Ah, e tem que ter enderço de entrega no Brasil, ok?
9. Ah, e o resultado sairá no dia 10 de novembro, aqui mesmo no blog e na página do facebook, então fiquem ligados!
1. Tem que ter blog, afinal eu não queria deixar as origens de blogagem de Halloween!
2. Escrever um conto de terror com a temática do Halloween no seu blog do dia 23 (terça-feira) até dia 31 de outubro (quarta-feira). Aposte na criatividade e no suspense.
4. Preencher todas as informações pedidas nesse formulário (deixar de responder alguma é fator desclassificatório).
5. Será levada em conta a criatividade e originalidade, assim como adequação ao gênero.
6. Prestem também atenção na grafia das palavras ok? É fator desclassificatório também.
7.Os textos serão julgados por mim e mais três pessoas: a Ana Ligia, o Edwin e a Renata (logo apresento eles aqui). Para cada texto, cada um de nós dará uma nota, e depois tiraremos a média. A partir dessas médias, formaremos o ranking.
8. O melhor texto será premiado com o livro Contos de terror do Tio Montague, do Chris Priestley (se não conhece o livro, leia resenhas sobre ele no skoob). E caso perguntem: não tenho parceria com nenhuma editora, é apenas um presentinho meu para o vencedor! Ah, e tem que ter enderço de entrega no Brasil, ok?
9. Ah, e o resultado sairá no dia 10 de novembro, aqui mesmo no blog e na página do facebook, então fiquem ligados!
- Minha querida Diana… Eu sei o quanto você ama o Alex, e ele também nunca amou tão verdadeiramente alguém como ele te ama. Mas tem coisas nessa história de vocês que não estão tão bem resolvidas quanto parecem. Tem a ver com as “experiências malucas” que ele faz. Ele não faz isso por mera curiosidade ou busca de conhecimento, e sim por necessidade. Eu espero que você mantenha bastante a calma para entender bem tudo o que eu vou te falar… Você vai ter que ser bastante forte.
- Pode começar, dona Elisa, eu preciso de explicações.
- Diana, o Alex não é como nós. Ele veio do Centro de Pesquisas Humanas em Zumbot. Ele é uma espécie de robô que recebe estímulos semelhantes aos que ocorrem normalmente no corpo humano por meio de fios elétricos, aqueles que você viu quando abriu a porta do quarto dele. E ele é perfeitamente igual aos humanos, pois a pele, os órgãos, tudo é semelhante ao que nós temos. De tempos em tempos, ele conectava aqueles fios em algumas de suas veias e órgãos (é, a anatomia dele também é tão complexa quanto a de um humano) para continuar existindo. Tal qual a comida funciona com a gente, como combustível, assim o eram aqueles fios. Mas havia um detalhe…esses fios supriam apenas as necessidades físicas dele. O coração precisava de uma energia mais forte…era a energia do amor. Sim, Diana, o amor do Alex por você sempre foi real, mas por uma ironia do destino, foi exatamente isso que o deixou em apuros.
Diana não sabia o que pensar… enquanto ouvia tudo, uma lágrima pesada caía sobre seu ombro, depois de percorrer a sua face quente. Como assim? O Alex um robô? Quer dizer que nunca foi loucura da parte dele toda aquela parafernalha. Mas ela queria saber mais… E começou, gaguejando, atrapalhando a cadência das palavras:
- Espera aí! Meu Alex, um robô? Quer dizer que aquele cara a quem tanto eu amei não existe de verdade, foi programado para ser como é? Bem que eu desconfiei que ele era bom demais pra mim pra ser verdade. E mesmo assim ele tinha todas as malícias de um homem, né. Que espertinho, queria é aproveitar. E essa história de amor, alimento, ele me usou? É isso, eu fui usada porque ele precisava de amor pra viver? É muita coisa de uma só vez, eu não sei sei consigo digerir, acompanhar. É informação demais.
- Calma, Diana, não é bem assim. Eu também não aceitava bem a ideia logo que o Alex chegou aqui em casa. Ele era pequeno, tinha uns 4 anos (sim, ele também crescia igual a um humano), e a rotina difícil de conectar os fios regularmente em partes do seu corpo me tirava o sono. Eu não sabia porque ele tinha que viver ali comigo. Ele foi trazido or um grande amigo meu, que era médico, o Dr. Oliver. O Dr. Oliver sempre foi o cabeça do Centro de Pesquisas Humanas em Zumbot. Ele achava peculiar o ser humano e toda a sua anatomia e maneira de ser. E achava interessante como mesmo o premeditado poderia virar exatamente ao contrário por causa dos sentimentos e das emoções humanas. Segredos que, na época, a medicina não havia explicado por inteiro. Então ele começou a capturar humanos de formas excusas às quais prefiro não mencionar, tinha uma equipe bem preparada para fazer o “serviço sujo”. E daí ele reaproveitava o que estivesse em perfeito estado (pele e demais órgãos, veias, sangue) para a construção daqueles que seriam instrumentos de sua experiência. Ele queria construir seres perfeitos, para explicar como agiam os sentimentos. E a sua obra mais perfeita desde a implantação desse método maluco foi o Alex. E ele resolveu me dar para que eu o criasse como filho. E no final, eu acabei mesmo me apegando a ele. Hoje é como se ele tivesse saído de dentro de mim. Eu o amo como um filho verdadeiro. E para que ninguém o discriminasse, eu e o Oliver decidimos nunca contar a sua real história, com medo de que o pior acontecesse. Mas agora, é preciso que se conte. Você o ama de verdade e precisa entender o que se passa agora.
Diana não sabia o que pensar. Era tudo muito novo, mas ela queria entender. Mesmo diante de tanta informação ela sabia, agora com a confusão mental mais branda: ela amava o Alex. Fosse ele o que fosse. E queria ajudá-lo.
- Continue, então, D. Elisa. Eu ainda estou confusa, mas preciso saber tudo sobre o Alex.E o porquê de ele ter estado no hospital, até na UTI, e ninguém ter reparado que ele não é humano. Como isso pôde acontecer? E os exames? Por que não detectaram nada estranho em sua formação?
- Porque simplesmente não há imperfeição, Diana. Ele foi estudado para ser humano e em tudo é igual a um. Aliás, em quase tudo. Ele não morre. Aliás, não morreria se…
- Como assim não morreria? Não me diga que ele…Não, D. Elisa!! Não é possível!! Não me diga que o meu Alex não voltará.
- Infelizmente, ele foi para a oficina do Centro de Pesquisas Humanas em Zumbot. Ele vai ser desmontado amanhã pelo seu criador, o Dr. Oliver.
- Mas por que? Ainda não ficou claro o motivo disso para mim.
- Seja mais forte do que nunca para o que eu vou dizer agora. O Alex precisava sim de amor pra viver. Mas ele não precisava – e não devia – entregar amor. Pois o amor que ele entregava a você era aquele que ele recebia, e acabava sem nenhuma reserva… é essa a única diferença de nós humanos para ele: quanto mais a gente entrega amor, mais amor a gente tem. Ele não, ele era apenas um robô. Tá, um robô que sentia tal qual um humano. Mas como eu acabei de dizer, a falta do amor o fez sucumbir. Se ele não te desse tanto amor, ele teria vivido mais. Mas certamente, menos feliz. Então não chore, minha querida. Venha cá, me dê um abraço. Por amá-lo tanto, você se tornou muito importante para mim também.
Enquanto abraçava a D. Elisa, Diana sentiu muito amor. O amor dela se fundiu ao seu e lhe deu uma ideia, num átimo: ela precisava procurar o Dr. Oliver. Agora. Não havia tempo. O Alex não podia ter esse fim. E ela tinha para isso pouco mais de 24 horas…
Gente, esse post é a continuação de um conto coletivo para comemorar um ano de Máfia. Ele foi iniciado pela Rafaella e continuado por muitas, até que chegou a Nathy que passou a bola para mim. Eu realmente estou amando a experiência de ler/escrever esse conto. E no começo, medrosa, desacreditei ser possível. Mas está sendo. E que continue com muito amor, amanhã, no blog da Lilica.
Sobre a Máfia, o que eu tenho pra dizer? Tô lá desde o dia 5 de dezembro de 2011, mas já sinto que formei uma família. Como em toda família, uns se dão melhores com alguns do que com outros, mas algo nos une com mais força: são os blogs, os sonhos, as alegrias e enfim. Só a gente sabe. Só a gente entende. Ninguém entende muito bem quando eu falo o que é a Máfia porque simplesmente não há uma explicação que baste. Só sabe quem participa o amor que é. E espero que a Máfia tenha muitos mais anos de vida. E que possamos comemorar fazendo o que mais gostamos sempre: blogando! Amo vocês!