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Mudar

by at 01:13 in Crônicas

Algumas partes de mim vão morrendo pouco a pouco. Nada mórbido, apenas a vida e a sua maneira de ser andarilha, de esquecer aquilo que foi e não é mais, certezas que viraram pó, amores que viraram “quem é ele, mesmo?“.

E se tem uma coisa que eu me orgulho é de certas partes que morreram. Se a parte de mim que me fez amar certas pessoas que eu jamais amaria, que bom que estas não existem mais: foram transpostas por uma nova pele, mais espessa, menos provável de ser submetida a algumas agruras e, por isso mesmo, mais preparada. Se partes de mim que me fizeram cometer certos erros, que bom que morreram. Assim posso fazer mais coisas boas daqui por diante, e ir cortando as arestas daquilo que não está tão bom.

Isso não quer dizer que eu me arrependa de ter feito: se tudo serviu para eu ir modelando minhas atitudes – que aliás, sempre estarão longe da perfeição – foi válido, foi aprendizado. Mas eu me orgulho de tê-las arrancado de mim. Porém, como tudo que é arrancado, deixa marcas, marcas que não saem tão facilmente, se é que saem algum dia. São essas marcas que nos fazem reagir com novas atitudes, novas interpretações de cada situação.

Me orgulho de ter matado em mim aquela que faz o que não aprova por “amor”. De ter assassinado cruelmente uma vida sem luta, de dias iguais, de sonhos que não eram jamais postos em prática. De ter esquartejado aquela que não se gosta, que fica insegura com uma opinião de alguém que nem importa, quem é esse alguém mesmo? Me orgulho de ter deletado a tristeza, toda e qualquer tristeza, que me impedia de alcançar o voo mais leve que o voo de um beija-flor, no qual toda e qualquer culpa dava lugar ao cheiro das flores, ou melhor, das realizações. Tudo isso com ternura, a ternura de mudar e continuar com a mesma essência de sempre.

Não sou e nunca serei beija-flor. Sou beija-vida. E ela me leva na leveza de cada passo e aprendizado.

O verdadeiro amor

by at 23:56 in amor

Imagem We Heart It

Eu te amo, eu fico triste, choro, por não te ter. Mas depois penso: ninguém TEM alguém. Você pode amar, participar da vida, compartilhar, mas ninguém é seu. Você não é de ninguém. E não estou falando de oba oba, nada a ver. O fato é simples de entender: não somos propriedades, nem objetos. Mas claro, quem disse que não há sofrimento? Há sim. Mas cada vez que você para pra pensar assim, sofre menos. Não é frieza, é realismo. Pé no chão.

Em outras épocas algo assim me faria ficar bem depressiva, com músicas tristes na playlist, versos pessimistas ao extremo. Mas… eu aprendi. Não adianta ficar de mi mi mis. A escola de filosofia espiritualista, essa da qual tanto eu falo, tem uma porcentagem nesse meu amadurecimento. Eu rio de felicidade e ainda passo pelos mesmos problemas. Outros ainda maiores. A diferença é que me tornei mais forte que os obstáculos – que não se enganem, sempre parecem ser maiores. Mas sempre temos que ultrapassá-los.

Amor sim, egoísmo não. Parei pra pensar na outra parte. A outra menina. Sei lá, ela pode ter sofrido tanto ou mais que eu. Pode ter tido dores maiores. Ou apenas, era ela a escolhida e só. Para que ficar querendo algo que é de outro? Ou melhor, que está com outro? E o ser amado, será que era o que eu pensei? Ou totalmente diferente? Vai ver não tem nada a ver comigo e eu nem sei.

Melhor deixar o mundo fluir, as pessoas serem felizes e eu continuarei sendo também, porque decepções acontecem, fruto das nossas expectativas geralmente irreais. Nada é impossível, não somos piores ou melhores que ninguém. Só que cada um tem o seu momento de viver cada coisa, mesmo o mais louco amor – que talvez nem seria assim tããão amor. Como somos tolos.

Minhas atuais considerações sobre religião

by at 06:00 in religião

Para quem conhece o blog há pouco tempo, pode parecer estranho, mas para quem o conhece desde a criação sabe como eu curto falar sobre imposições religiosas e de maneira mais ampla, sobre o que eu tenho por religião e pela figura divina.

Eu participo de uma escola chamada Escola de Filosofia Espiritualista Raios do Amanhecer há 5 anos. E disso eu tenho o maior orgulho. É uma escola onde a busca é a unificação, o comum entre as culturas e religiões, pois acreditamos que a verdade é uma só, dita de diferentes maneiras. Lá tem umbandistas, protestantes, católicos, bruxos, espíritas, entre outros (a maior prova que não tem cunho religioso, e sim espiritualista e filosófico). E foi lá que eu aprendi a amadurecer muitas das minhas visões já explicitadas neste blog.

Uma das coisas que pouco me irritam hoje são quando vem “pregar a palavra” no metrô ou ônibus – que fique bem claro: quando realmente vêm falar da palavra de Deus, eu gosto e até presto atenção, mesmo porque eu adoro ler a Bíblia. Mas se antes me irritava aqueles que fogem da palavra divina dizendo estarem com elas, apenas me diverte. Por que as pessoas conseguem ser extremamente sem-noção. Eu continuo achando errado a prática nos transportes públicos, mas só aqueles que não são respeitosos. Quando a pessoa realmente leva em conta a palavra de Deus, por que não? – mesmo assim, a prática foi proibida nos metrôs. Mas continua.

Vejo religião de maneira parecida com a que via antes, porém de forma mais amadurecida. Acho que sentir é um aspecto que te faz sentir bem. Você é o que você pensa, pois os pensamentos delimita os seus sentimentos e razões, inerentes à vida. Se alguma religião te faz bem, muito bem a ponto de te fazer querer viver mais e mais, por que não?

Acho que deixei de ser polêmica em alguns aspectos, ou todos. Mas tem certos posicionamentos com os quais eu não concordo. Por exemplo, o absurdo de querer que não haja união estável entre homossexuais. Que bom que a lei foi mais justa, mas não por falta de tentativas de pessoas contra isso. E eu pergunto: os homossexuais impedem essas pessoas de fazerem o que? Apenas o fato de não considerarem uma família um relacionamento estável entre pessoas do mesmo sexo os fazem achar que têm direito de vetar a vida em liberdade destes? Uma coisa é você não aprovar, outra é querer tirar o direito de cidadãos por “não gostar”. Todos tem direito de ir e vir. Assim penso eu.

Eu acredito muito em Deus, mas não sou religiosa. Ler a Bíblia me faz bem, mas não me sinto apta a julgar o mundo como eu bem entendo . Eu tenho que respeitar algo mesmo que eu não goste. E disso, muita gente não se dá conta.

Imagem We Heart It

 

Pílulas de sentimento

by at 21:01 in comportamento

Eu me afasto, me isolo, me recrimino, tenho medo do que posso causar algumas vezes. Prefiro ficar de fora observando por vezes, ver quem é quem, quem está sendo falso, quem está sendo amigo sem eu nem pedir.
A vida muda muito em pouco tempo, parece bem instável, estresses do dia a dia, e o coração dilacerado que não quer sentir. Não.

E todas as vezes que há felicidade há o medo: sempre será igual? Nunca se sabe, né. Confiança, desconfiança, medo, fé, mil coisas. Sei lá.

Só sei que não era pra fazer nexo. Era só pra desabafar mesmo.