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O ar-condicionado

by at 01:52 in mudanças

Hoje, voltando do trabalho, me deparei pensando em algo que pareceu ser uma bobagem de início, mas que fez um certo sentido depois. Pra quem não sabe eu trabalho numa livraria, e nesses dias o ar-condicionado de lá quebrou. Enfim, depois eu peguei um ônibus que estava muito quente, mesmo com as janelas abertas. E vi as travas das janelas, ou seja: os ônibus foram ‘planejados’ para as janelas ficarem fechadas. Como os metrôs. Mas os metrôs já têm ar-condicionado (embora nem sempre tenha sido assim e, quando não era, era um verdadeiro inferno de tanto calor), e os ônibus? (Não, não é silogismo). Whatever, todo esse caracol de pensamentos me levou a uma reflexão sobre ar-condicionado – não exatamente sobre ele, vocês entenderão mais à frente.
Quando entramos num ambiente com ar-condicionado nos deparamos com uma “realidade fictícia”: um friozinho bom, não correspondente ao calor lá de fora. Nos acostumamos com aquela temperatura até que, bum!, é hora de sair. Reacostumar a outra temperatura costuma ser no mínimo estranho. Admita que é bem mais fácil e agradável se “acomodar” com uma boa perspectiva do que enfrentar a real! Eis a “reflexão” louca, estabanada, mas legítima!
O agradável insiste em parecer real só para nos viciar. Quando o ciclo acaba, nosso mundo cai. O caminho se encurtaria se tomássemos parte do que é verdadeiro, e mais que passageiro, para sempre.

P.S.: Não, eu não tenho nada contra ar-condicionados. E só queria falar o que pensei, e não fazer um texto “oooh”.
P.S.2.: Acho que estou voltando a ser blogueira como no início do blog: assuntos do dia-a-dia, bem mais que posts montados. Até pensei em mudar drasticamente o blog depois do domínio, mas vi que não teria sentido, pois essa é a essência do Despindo Estórias: ser livre para falar como quiser, do assunto que quiser.

A metáfora do sol

by at 10:34 in aprendizado


O sol brilha para todos; se aproxima de uns, se esconde de outros. A desigualdade que parece falha é na verdade perfeição: a luz chega na medida em que o ser a suporta. Tanto é que a sombra por vezes remete alívio: nem todos estão preparados para o seu brilho. E mesmo entre os que estão, há distâncias certas pra cada um.
Assim os relacionamentos. A gente ama, e por se afastar não quer dizer que esquecemos, talvez é tão forte, que se não guardarmos numa caixinha, arruinaremos vidas. Pois o que nós queremos não pode ser lei sempre. O espaço do outro por vezes é grande demais por sua delimitação. E ainda assim, é seu espaço. A luz penetra de maneira tímida ou radiante, clara ou escassa. Mas tem a medida exata: se muito se afasta, congela. Se aproxima, queima. Terra, pessoas, paragens. Experiências de sol.

Um chá muito louco

by at 21:29 in reflexão


Ler a Alice e a sua curiosidade de descobrir tudo que a rondava, permitindo-se ir além do real, nas divisas da imaginação. Para mim, Alice no País das Maravilhas é e sempre será O livro. Aquele que vai tomando novos significados a cada nova leitura, que faz com que nos reencontremos com algo que a rotina nos tira: a fantasia, essa que nos leva para mundo que, embora não existente no mundo real, muito nos ensina sobre ele.
A ousadia dela de tomar o líquido que tinha escrito beba-me e o bolo onde tinha escrito coma-me, o que nos ensina? Que muitas vezes precisamos ser ousados diante do desconhecido. Se não arriscarmos, talvez não possamos modificar situações que precisam de novos ares. Talvez até dê errado, mas se tinha de ser, o que fica é o aprendizado. Ali você não cai mais. Ou talvez caia, por teimosia ou por não ter prestado tanta atenção assim no ensinamento.
A Rainha de Copas manda os seus soldados pintar as rosas brancas todas de vermelho. Daí, duas interpretações:

1ª- Por vezes queremos “nos pintar de vermelho”, para que os outros não enxerguem quem verdadeiramente somos. Todo mundo em algum momento da vida faz isso, ou seja, utiliza máscaras. Mas quando a máscara “cola” no seu rosto, como você reencontra seu verdadeiro eu?

2ª- Olhando para a atitude da Rainha de Copas, será que está certo mandar nos outros de tal forma? Agir com a ira, ao invés de esperar os momentos de calmaria? (aliás, se ela tem, eu desconheço…rsrs.). Quem age com impulsividade, com raiva, acaba se magoando e magoando os outros.

Se continuasse, com certeza veria mais coisas legais que o livro me ensina. Talvez você tenha lido e visto por outros ângulos, mais amplos até. Mas o bom da reflexão é isso: não há o mais certo nem o mais errado; apenas concepções diferentes. Pense nisso. :)

Imagem Getty Images

PS.: Vou voltar a entrevistar pessoas aqui no blog.
PS.2: Quero voltar a postar pro Blorkutando, mas a preguiça não deixa. Preciso vencê-la.
PS.3: Tô preparando minha aula, da qual falei no post anterior.