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Para sempre ou por algum tempo?

by at 20:48 in amizade, relacionamentos

Imagem retirada do Tumblr

Que a amizade é um bem precioso, nós sabemos. Mesmo aqueles que se dizem mais independentes precisam de alguém em quem confiam seja pra desabafar, ou simplesmente para rir e esquecer dos momentos mais difíceis que a vida apresenta. O problema é que, não sei na perspectiva de vocês, mas pelo menos pra mim esses amigos variam muito. Alguns ficam, é certo, mas a maioria é temporário: só tem a ver com um momento que você vive, e depois viram meros conhecidos.

Isso parece triste e pessimista da minha parte, não é? Não. É a realidade. Pare pra pensar naquela amiga que você tinha no início do ensino médio… se é que você vai lembrar do nome ou do rosto dela. Isso não é falta de consideração nem falsidade: apenas uma mostra de como a vida é dinâmica, e nem tudo fica no lugar. Lembre dos seus amigos de agora. E agora pense quem era você no início do ensino médio e quem você é atualmente: diferente, com novas descobertas, responsabilidades e hobbys. Nada mais normal do que atrair amizades diferentes.

Eu por exemplo, era muito chata para amizades: geralmente achava todo mundo chato, ou melhor, ficava com um pé atrás com todo mundo. Por conta de experiências do passado, resolvi que assim seria mais fácil. Hoje já sou “menos” chata com relação às pessoas, mas guardei um pouco do cuidado que tinha já antes, porque eu mais do que ninguém sei que não dá pra confiar num “vamos ser amigos para sempre” assim de cara, pois a vida, meus caros, muda.

Você não sabe como vai ficar sua amizade com aquele amigo incrível se ele ou você não estiverem tão mais perto. A parte boa do não saber é que pode, sim, ficar melhor. Eu mesmo tenho uma amiga que agora mora longe e a amizade mudou sim, mas a cumplicidade ficou. Houve uma transformação pra melhor. Só, que, geralmente, a transformação é a inversa. Os amigos, que antes trocavam as maiores confidências, tornam-se meros conhecidos – ou pior: desconhecidos. A ponto de você nem lembrar.

Claro que, como eu disse, há aqueles que ficam para sempre: como se fossem almas irmãs, por mais diferenças pessoais que hajam, sempre há o que compartilhar. Esses são os que ficam.

Apesar dos descaminhos, a amizade é algo que vale a pena, sim. Não há nada como compartilhar com pessoas parecidas o que acontece de bom e de ruim em nossas vidas. Mutável ou imutável, temporária ou permanente, não deixa de ser amizade, um dos sentimentos mais nobres que existem.

 

A metáfora do sol

by at 10:34 in aprendizado


O sol brilha para todos; se aproxima de uns, se esconde de outros. A desigualdade que parece falha é na verdade perfeição: a luz chega na medida em que o ser a suporta. Tanto é que a sombra por vezes remete alívio: nem todos estão preparados para o seu brilho. E mesmo entre os que estão, há distâncias certas pra cada um.
Assim os relacionamentos. A gente ama, e por se afastar não quer dizer que esquecemos, talvez é tão forte, que se não guardarmos numa caixinha, arruinaremos vidas. Pois o que nós queremos não pode ser lei sempre. O espaço do outro por vezes é grande demais por sua delimitação. E ainda assim, é seu espaço. A luz penetra de maneira tímida ou radiante, clara ou escassa. Mas tem a medida exata: se muito se afasta, congela. Se aproxima, queima. Terra, pessoas, paragens. Experiências de sol.

Reviver, relembrar e apagar o que passou

by at 05:23 in lembranças, sentimentos

A avó

Quando olha para uma montanha, Miriam Míguez gostaria de atravessá-la com o olhar, para entrar no lado de lá do mundo. Quando olha para a sua infância, ela também gostaria de atravessar com o olhar esses anos idos, para entrar no lado de lá do tempo.
Do lado de lá do tempo, estava a avó.
Na sua casa de Córdoba, a avó escondia algumas caixas secretas. Às vezes, quando Miriam e ela estavam sozinhas, e não havia perigo de algum intruso aparecer, a avó entreabria seus tesouros e deixava a neta ver.
Aquelas lantejoulas, medalhinhas, plumas de pássaros, chaves velhas, palitos de roupa, cintas coloridas, folhas secas e recortes de revistas pareciam coisas; mas as duas sabiam que eram muito mais do que coisas.
Quando a avó morreu, tudo isso desapareceu, talvez queimado ou jogado no lixo.
Miriam tem, agora, suas próprias caixas secretas. Às vezes, ela as abre.
(Eduardo Galeano)
Eu também tenho as minhas caixas, gavetas, lembranças. Hoje, ao arrumar meu quarto, achei coisas que escrevia ao meu ex-namorado, e ele pra mim. Li, ri, fiquei triste e joguei. Tudo precisa de um fim, e meu quarto, meu templo, de novas energias.
É bom saber que o passado foi bom, fez feliz; foi ruim, decepcionou; jamais foi neutro. Tudo influencia de certa forma. Aprendizado nunca é tarde. Vida nunca é simples.
Mas ainda assim não é tão fácil esquecer um amor que mexe tanto, muda tanto vidas. Não pretendo, no entanto, voltar.
Talvez jogando as lembranças eu assumo pra mim mesma que acabou, que já foi, que faz tempo, mas há dor. E ela não cessa tão fácil.
Não se ‘mata’ sentimentos pondo em caixinhas lembranças. Mas sem elas também nada garante que aquelas lembranças que ficam no coração logo cessarão.
E eu tenho pressa…